Canudos: Como uma cidade historica com o orçamento de R$ 160 milhões, não consegue pagar os próprios funcionarios? de um lado salários pela metade de outro atrasos salariais.
Com orçamento milionário, município vive o paradoxo de ter cofres cheios de verba federal, mas enfrenta atrasos salariais e estagnação econômica. Onde está o dinheiro?
Palhanoticias.com
1/19/20263 min read


O Gigante de Pés de Barro
Canudos não é uma cidade pobre de recursos. Pelo contrário: os números oficiais mostram uma prefeitura que movimenta cifras milionárias. Com um orçamento anual estimado na casa dos R$ 160 milhões, a cidade histórica vive um paradoxo que desafia a lógica matemática e social.
Como um município que dispõe de uma receita tão expressiva — equivalente a quase R$ 10 mil reais por habitante ao ano — enfrenta dificuldades básicas, como garantir o pagamento básico salarial em dia do funcionalismo público?
A resposta para essa "charada" fiscal revela a profunda dependência do município.
Apesar do orçamento robusto de R$ 160 milhões, a análise da saúde financeira da cidade mostra que essa riqueza não é produzida ali. A arrecadação própria (impostos gerados pelo comércio e serviços locais, como IPTU e ISS) é irrisória e insuficiente para pagar sequer a folha salarial da prefeitura.
Na prática, Canudos é um "gigante de pés de barro": movimenta milhões, mas quase todo esse dinheiro vem de transferências externas (FPM e verbas estaduais). Se a torneira federal fechar, a cidade, que no papel é milionária, quebra no dia seguinte.
A Corda Arrebenta no Lado Mais Fraco
Apesar do orçamento robusto — equivalente a quase R$ 10 mil reais por habitante ao ano —, a gestão financeira do município tem penalizado severamente a base da pirâmide social.
Relatos apontam que a classe que mais sofre com a desorganização financeira é justamente a que recebe salário mínimo. O atraso salarial atinge com crueldade setores essenciais que mantêm a cidade de pé, castigando profissionais da Saúde (como enfermeiras e técnicos) e da Educação (como merendeiras e pessoal de apoio).
Para essas famílias, o atraso não é apenas um transtorno bancário ou burocrático; é a incerteza sobre a comida na mesa.
Dois Pesos, Duas Medidas
A indignação popular cresce ao observar o contraste no tratamento das folhas de pagamento. Enquanto a base do funcionalismo aguarda definições sobre seus vencimentos, fontes indicam que os salários da classe política local (alto escalão, secretários e vereadores) seguem rigorosamente em dia e com aumentos significativo todos os anos.
Essa disparidade reforça a sensação de que, em Canudos, a austeridade só vale para quem ganha pouco.
R$ 160 Milhões e Salário Pela Metade ou Atrasado?
A indignação popular cresce quando se coloca na balança o volume de dinheiro versus a realidade do servidor.
Recentemente, a cidade presenciou debates acalorados sobre atrasos salariais ou pela metade. O contraste é gritante: de um lado, um orçamento de R$ 160 milhões; do outro, servidores sendo chamados de "incompetentes" por reclamarem de seus direitos, como sugeriu a fala viral de um vereador local.
A pergunta que ecoa nas ruas é simples: Se o dinheiro entra, por que a conta não fecha? Especialistas apontam que o problema pode não ser falta de recursos, mas sim a falta de geração de riqueza real e o inchaço da máquina pública, que se tornou a única grande empregadora da cidade.
O Custo da Dependência
Enquanto administra seus milhões vindos de fora, Canudos vê sua economia real estagnar.
Indústria: Inexistente. A cidade vende banana (matéria-prima) e compra produtos processados, perdendo dinheiro.
Jovens: Sem opções no setor privado, a juventude qualificada vai embora, pois a cidade de R$ 160 milhões não oferece um plano de carreira fora da política.
Turismo: O potencial histórico, que poderia ser uma "mina de ouro" própria, continua subexplorado.
Conclusão
Canudos tem dinheiro, mas não tem autonomia. O orçamento de R$ 160 milhões prova que o problema da cidade não é a ausência de capital, mas a ausência de um projeto de desenvolvimento que transforme verba pública em riqueza duradoura.
Enquanto a cidade celebrar o valor do repasse federal em vez do valor da sua produção interna, continuará sendo uma "cidade rica" onde o povo vive a incerteza do fim do mês.


